Método de Estudo

Três pérolas essenciais para todo método de estudo e para a vida: concentração, paciência, e autodisciplina.

Extraído do livro “A Arte de Amar”, de autoria do psicólogo Erich Fromm

A Concentração

Ficar concentrado significa viver plenamente o presente, agora, aqui e não pensar na coisa seguinte a ser feita. Ser capaz de concentrar-se significa ser capaz de ficar só consigo mesmo, o que é difícil, mas não impossível. Tente ficar só consigo mesmo. No início, você vai sentir-se inquieto, nervoso, ou mesmo experimentará uma considerável ansiedade. Continue tentando. Pode ser que muitos pensamentos tomem conta de sua mente: planos para o resto do dia, dificuldades no trabalho ou estudo, namorado ou namorada, família, dinheiro etc. Deixe agora que sua mente fique vazia, sente-se em posição repousada, nem espreguiçada, nem rígida; feche os olhos e tente ver uma tela cinza e, quando surgirem pensamentos ou imagens, tente removê-los. Procure acompanhar a própria respiração; não pensar a respeito dela, nem forçá-la, mas, simplesmente, acompanhá-la e, ao fazê-lo, senti-la; tente, além do mais, ter o senso do seu “EU”. Procure fazer esse exercício todas as manhãs, durante 10 minutos, e todas as noites antes de deitar-se.

Além desses exercícios, você deve aprender a ficar concentrado em tudo que estiver fazendo, em ouvir música, em ler este texto, em falar com uma pessoa, em ver uma paisagem etc. A atividade do momento presente deve ser a única coisa que importa. Praticando, pacientemente, você vai desenvolvendo a sua capacidade de concentração. Se estiver estudando, leia com o objetivo de entender, reter e lembrar. Recite para você mesmo os pontos principais do texto e depois escreva-os. Volte ao texto, confira os erros e as omissões. Procedendo assim, você aumentará a sua capacidade de compreender, de sintetizar e de fixar a matéria. Entretanto, não se esqueça: pratique a concentração em tudo que você fizer na vida.

A paciência

Todos nós sabemos que, para aprender qualquer coisa, a paciência é fundamental. Quem anda atrás de resultados rápidos tem sempre grandes dificuldades para aprender. A paciência é prática tão difícil quanto a disciplina e a concentração. Estabelecer regras disciplinares e segui-las será, inicialmente, muito difícil e aí a paciência desempenha um papel fundamental. A prática da concentração parecerá impossível nas primeiras tentativas. Se não se sabe que tudo tem o seu tempo, se querem forçar as coisas, então, na verdade, nunca se conseguirá sucesso em ficar concentrado ou em fazer as coisas de modo disciplinado. Para se ter uma ideia do que a paciência é capaz, basta que se observe uma criança aprendendo a andar. Ela cai, torna a cair, cai outra vez, e, no entanto, continua tentando, melhorando, até que, um dia, anda sem cair. Imagine o que poderia o adulto realizar se tivesse a paciência da criança e a sua concentração nos objetivos que lhe são de importância!

A autodisciplina

Se perguntarmos a uma criança de doze anos a sua opinião a respeito da disciplina, ela, provavelmente, responderá; “coisa muito chata”. Já um adulto poderá referir-se à disciplina como um sistema rígido e autoritário: levantar cedo, trabalhar duro e não se comprazer em futilidades. É exatamente aí que reside um dos aspectos mais infelizes do nosso conceito ocidental de disciplina: o de supor que a sua prática é algo doloroso e desagradável. O Oriente reconheceu, há muito tempo, que aquilo que é bom para o homem, para seu corpo e sua alma, deve também ser agradável, ainda que, no princípio, torne-se necessário superar certas resistências naturais.

O importante é que as regras disciplinares não sejam impostas no exterior e sim que sejam a expressão da vontade própria e que seja sentida como agradável. Uma pessoa pode, por exemplo, estabelecer para si mesma algumas regras simples com tempos e movimentos para ler, ouvir música, estudar, meditar, passear, praticar esportes, conversar, ver televisão etc.
Faça um horário de estudo e não se afaste dele.